Morgana,
Escrevo-lhe para contar que as fogueiras de Beltane ainda vivem! A virgem que tentou estrangular a Deusa, a coleira imposta por essa nova sociedade cheia de verdades absolutas são esquecidas em um festival que por aqui é chamado de Carnaval.
A origem do carnaval é assunto controverso entres os pesquisadores dessa era. Alguns (talvez descendentes do povo pequeno) acreditam que um festival religioso pagão, realizado em agradecimento aos deuses pela fertilidade do solo e pela produção 10.000 a.C., deu início a essa festa popular.
Há ainda quem diga que as primeiras manifestações carnavalescas ocorreram na Roma dos césares, ligando o carnaval às famosas saturnálias, de caráter orgíaco. Me impressiona como os antigos romanos, contra quem tanto lutamos, conseguiram se apropriar até das antigas fogueiras da Deusa!
Outros especialistas acreditam que o carnaval teve início na Grécia arcaica, uma vez que o rei Momo encontrado no carnaval europeu e brasileiro atual é a personificação de Dionísio — o deus Baco, patrono do vinho e do seu cultivo – que era festejado na Grécia antiga para honrar a colheita e os ciclos da natureza, em mais um reflexo da influência da Deusa.
Para mim, não importa a origem difundida pelo povo dos padres. É evidente que todas elas homenageiam a vida, o instinto primordial que corre em nossas veias. O povo não se deixa guiar somente pelo Deus das restrições! Avalon ainda vive, Senhora do Lago!
Leticia das fadas
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